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O que é o enriquecimento

Enriquecimento acrescenta contexto a um evento dentro do pipeline, antes de ele ser roteado e antes de ser avaliado pelas regras de detecção. Em vez de o analista abrir uma ferramenta à parte para descobrir "esse IP é de que site?" ou "esse indicador já apareceu em algum feed de ameaça?", o evento já chega ao destino com essa resposta anexada.

O estágio aparece no menu como Enriquece, entre Normaliza e Roteia, essa é também a ordem real em que o evento passa pelo pipeline: primeiro é normalizado para o formato comum (OCSF), depois ganha contexto, só então é roteado para o destino e avaliado pelas regras de detecção.

Catálogo de fontes de enriquecimento

As três peças

PeçaO que éExemplo
EnricherUma fonte de contexto já pronta no CentralOpstable_cidr, opencti, virustotal
TabelaUm conjunto de dados seu que um enricher consultaLista de sub-redes da sua empresa, com o site e a criticidade de cada uma
PolíticaO conjunto de regras que diz quando enriquecer, com qual enricher, e onde escrever o resultado"Se o IP de origem bater no plano de endereçamento, marque o site e a criticidade"

Uma política pode ter várias regras. Cada regra escolhe um enricher, diz de onde tirar a chave de busca (por exemplo, o IP de origem do evento) e para onde escrever cada campo do resultado.

Dois momentos diferentes

Nem todo enriquecimento acontece na mesma hora. Isso importa porque muda o que o enriquecimento consegue fazer com o evento.

Por eventoPor lote
Quando rodaEvento por evento, no instante em que ele passa pelo pipelineNo fim de um grupo de eventos, de uma vez
Alimenta a detecção em pipeline?SimNão, chega tarde demais para isso
ExemplosTabelas do cliente, OpenCTIVirusTotal
Por quêA fonte já está toda carregada em memória, não precisa esperar redeA fonte exige uma chamada de rede por indicador, e isso não pode acontecer um a um sem travar o pipeline inteiro

Na tela de catálogo, cada card diz por evento ou por lote no começo da descrição, é essa a diferença que isso indica.

Na prática: se você quer que uma regra de detecção reaja a "esse IP é reconhecidamente malicioso", o enricher precisa ser dos que rodam por evento. Um enricher por lote ainda enriquece o evento antes dele chegar ao destino, só não chega a tempo de influenciar a detecção que rodou dentro do próprio pipeline.

Onde o resultado é escrito

O enriquecimento nunca altera os campos originais do evento, nem o dado bruto do fornecedor, nem os campos já normalizados no formato OCSF. Tudo o que ele acrescenta fica numa seção própria do evento, reservada só para isso.

Isso é proposital: os campos normalizados de um evento já passaram por uma validação de conformidade, e sobrescrevê-los depois faria essa validação mentir sobre o que realmente foi entregue. Separar o que veio do fornecedor do que foi acrescentado também deixa claro, no destino, o que é fato relatado e o que é contexto anexado pelo CentralOps.

Egresso: quando um dado seu sai para um terceiro

Alguns enrichers consultam um serviço externo, o que significa que um indicador do seu ambiente (um IP, um hash de arquivo) sai da sua infraestrutura para checar reputação. Outros são 100% internos: ou consultam algo que já é seu (sua instância do OpenCTI, sua própria tabela), ou não fazem chamada de rede nenhuma.

Cada card do catálogo mostra um selo de egresso:

SeloSignificado
sem egressoNão faz nenhuma chamada externa, tabelas do cliente
internoConsulta um serviço, mas é seu (ex.: sua própria instância OpenCTI), nada sai para fora da sua infraestrutura
envia a terceiroEnvia o indicador a um serviço de terceiro (ex.: VirusTotal)
Trate o selo de egresso como decisão de privacidade, não como detalhe técnico

Antes de habilitar uma regra que usa um enricher com egresso a terceiro, confirme que sua organização pode enviar aquele tipo de indicador para fora, em alguns ambientes (dados de cliente sob NDA, setores regulados) isso pode não ser aceitável. O aviso aparece destacado no topo do catálogo sempre que há pelo menos uma fonte assim.

O gate when da regra é avaliado antes da chamada externa, então o que ele barra não sai da sua infraestrutura nem consome cota do provedor.

Uma organização por vez, salvo no Enterprise

Um token com escopo de organização enxerga apenas a própria. Se você opera um SOC que acompanha vários clientes e vê só um deles, isso não é falha: é como a edição Community funciona. Ver a subárvore de organizações filhas é recurso Enterprise.

Duas saídas: usar um token de escopo global, ou a edição Enterprise, que habilita a visão de subárvore e o compartilhamento de uma fonte entre a matriz e as filhas escolhidas. A própria tela avisa quando você está vendo uma organização só.

As telas do console

O console tem seis abas em Enriquece → Enriquecimento:

  • Visão geral, a aba de entrada. Responde "está funcionando nesta organização, e o que falta?" numa lista de passos: subsistema ligado, cache dedicado, fontes e tabelas em ordem, política em vigor. Cada passo que bloqueia traz o motivo e o botão que leva ao lugar de resolver, e os que dependem de administrador global vêm marcados como tal. Um passo que não afeta a sua organização aparece em cinza, sem alarme — uma organização que só usa tabelas do cliente não é avisada sobre o cache de consultas externas.

  • Catálogo, todas as fontes de enriquecimento disponíveis, com modo (por evento/por lote), tipos de chave que aceita e selo de egresso. Clicar num card já abre o cadastro de fonte com o enricher escolhido.

  • Fontes, as fontes configuradas: a instância de um enricher nesta organização, com o endereço e a credencial. Enrichers que exigem credencial (OpenCTI, VirusTotal) precisam de uma fonte antes de aparecerem numa regra. A lista mostra, por fonte, o selo de egresso, se há credencial, o resultado do último teste com a mensagem do provedor, e com quantas organizações filhas ela é compartilhada. O botão Testar consulta o serviço de verdade e devolve o erro real do provedor, sem publicar nada; o resultado fica gravado, então "nunca testada" e "testada e falhando" são estados distintos na tela.

  • Tabelas, as tabelas que sua organização já criou, com quantidade de entradas e tamanho. O botão Nova tabela cria uma tabela, e cada card abre o histórico de versões, publicar dados novos ou reverter para uma versão anterior é tudo formulário, sem precisar de API. O conteúdo entra por planilha (CSV) ou por JSON: com CSV você escolhe a coluna da chave e quais colunas viram contexto, e a tela mostra, antes de publicar, quais linhas estão inválidas (com o número da linha e o motivo), o que é novo, o que muda e o que sai da tabela. Esse último ponto importa porque publicar substitui a versão inteira, não faz mesclagem.

    Tabelas de enriquecimento da organização

  • Políticas, as políticas já criadas, se estão ativas e quantas regras têm. O botão Nova política cria uma política, e cada card abre o editor de regras, escrever regras, testar com dry-run e habilitar são passos do mesmo modal. O editor abre já com as regras da versão vigente, porque publicar substitui a lista inteira, não faz merge.

    Políticas de enriquecimento

  • Execução, para responder "isso está funcionando?". Mostra qual política está de fato valendo (o worker aplica uma por organização, a mais antiga habilitada). Lista cada tentativa de consulta com a mensagem do provedor quando falha, e o aproveitamento de cada regra na janela. As duas leituras juntas distinguem problema de credencial (a consulta falha) de problema de dado (a consulta funciona e o acerto cai), que pedem ações opostas.

O guia Como enriquecer um evento mostra o passo a passo completo pelo console, com a API REST como alternativa para automação e scripts.

Onde fica a configuração da instalação

O enriquecimento por lote (VirusTotal, AbuseIPDB, OTX, GreyNoise) precisa de um cache dedicado compartilhado entre os processos de coleta. Sem ele essas fontes não rodam — é uma decisão de projeto, não uma falha: o cache do restante do produto guarda o controle de duplicidade, cuja remoção silenciosa reapareceria como evento reentregue no SIEM.

Esse endereço, junto dos orçamentos de consulta, da pausa automática de fonte com falha e dos limites de memória das tabelas, fica em Administração → Configuração → Enriquecimento, e só um administrador global edita. São parâmetros da instalação inteira: um cache, um orçamento, um limite para todas as organizações.

Duas coisas a saber sobre essa tela:

  • O botão Testar conexão usa os valores do formulário, inclusive uma senha que você ainda não salvou, e não grava nada. Ele também recusa apontar para a instância principal do produto e diz por quê.
  • A senha é enviada uma vez e cifrada pelo servidor; a API nunca a devolve. Deixar o campo vazio ao salvar mantém a que está lá.

Uma alteração chega a todos os processos de coleta em segundos, sem reiniciar contêiner nenhum.

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