Casos de Uso — Guias Passo a Passo
Esta página mostra, passo a passo na interface, como criar e ativar um mapeamento que transforma os eventos de um vendor no formato padronizado do CentralOps. Use exemplos reais (Microsoft Defender, Sophos e um vendor novo do zero) para guiar você do primeiro evento recebido até o evento normalizado pronto para ser entregue aos destinos.
Um mapeamento diz ao CentralOps quais campos do evento original correspondem a quais campos do formato padrão (severidade, dispositivo, usuário, indicadores). Você cria e edita tudo isso por formulários na tela de Mapeamentos — não é preciso escrever nenhum código.
Quando usar
- Onboarding de um novo vendor: você acabou de conectar uma integração (por exemplo, um EDR novo) e os eventos chegam, mas com campos do vendor. Você precisa criar um mapeamento para que severidade, host e indicadores apareçam corretamente nos destinos, que é onde você pesquisa o evento.
- Campos faltando nos alertas: os analistas reclamam que o nome do host ou o usuário não aparece num alerta de phishing. Você abre o mapeamento daquele vendor, identifica o campo de origem que está sem ligação e corrige.
- Vendor mudou o formato: o fornecedor passou a enviar a severidade como texto ("high") em vez de número, e os eventos começaram a cair na Quarentena. Você ajusta a conversão de severidade no mapeamento e reprocessa.
Antes de começar: o ciclo de um mapeamento
Todo mapeamento segue o mesmo ciclo na tela Normaliza -> Mapeamentos:
- Criar / abrir o mapeamento do vendor.
- Ligar os campos de origem (do vendor) aos campos de destino (formato padrão).
- Testar com eventos de amostra usando a simulação (Dry Run), sem afetar produção.
- Revisar a cobertura — quais campos do vendor ficaram de fora.
- Ativar — a partir daí os eventos passam a ser normalizados e seguem para entrega.
Os exemplos abaixo aplicam esse mesmo ciclo a vendors de complexidade crescente.
O que todo mapeamento precisa preencher
Independente do vendor, o resultado padronizado sempre tem um conjunto de campos básicos. Ao montar o mapeamento, garanta que estes estejam ligados a alguma origem:
| Campo padronizado | O que representa | Obrigatório? |
|---|---|---|
| Tipo de evento | A categoria do evento (ex.: detecção de segurança) | Sim |
| Horário | Quando o evento ocorreu | Sim |
| Identificador | ID único do evento no vendor | Sim |
| Severidade | A gravidade, padronizada numa escala comum | Sim |
| Título / mensagem | O resumo legível do que aconteceu | Recomendado |
| Dispositivo | Host, máquina ou equipamento envolvido | Recomendado |
| Usuário / ator | Quem estava envolvido | Recomendado |
| Indicadores | IPs, e-mails, hashes, arquivos, processos (os IOCs) | Recomendado |
| Identificação do produto | Nome e fabricante da ferramenta de origem | Recomendado |
Os campos obrigatórios são os que, se não forem preenchidos, fazem o evento ir para a Quarentena. Sempre os mapeie primeiro.
Caso 1: Microsoft Defender for Endpoint (detecção)
Vendor: Microsoft Defender XDR Tipo de evento: alerta de detecção em endpoint Complexidade: alta (vários indicadores, evento com estrutura aninhada)
O Defender é um vendor de primeira classe no CentralOps, integrado tanto como fonte quanto como destino. Este caso reforça que a plataforma é vendor-neutra: a mesma normalização vale para Sophos, Microsoft, Wazuh ou qualquer outra ferramenta.
O desafio deste evento
Um alerta de detecção do Defender traz uma lista de evidências, e cada evidência pode ser um arquivo, um processo ou um usuário. Você quer que cada uma dessas evidências vire um indicador separado no evento padronizado, para que os analistas consigam pivotar por hash, por nome de processo ou por usuário.
Passos na interface
-
Vá em Normaliza -> Mapeamentos e clique para criar um novo mapeamento.
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Selecione o vendor (Microsoft Defender) e o tipo de evento de detecção.
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Preencha os campos básicos:
- Severidade: o Defender envia texto ("informational", "low", "medium", "high", "critical"). Configure a conversão para a escala padrão de severidade do CentralOps.
- Status: o Defender classifica como verdadeiro positivo / falso positivo. Ligue esse campo ao status padronizado.
- Horário, identificador e título ligados aos campos correspondentes do alerta.
- Dispositivo e usuário ligados ao nome/ID da máquina e ao responsável atribuído.
-
Configure os indicadores a partir da lista de evidências. Como a lista mistura tipos diferentes, separe um indicador para cada tipo:
- caminho e hash de arquivo,
- nome de processo e linha de comando,
- usuário.
Quando a evidência traz uma lista, marque a opção que gera um indicador por item da lista, para não perder evidências.
-
Habilite a remoção de duplicados dos indicadores, para que valores repetidos (ex.: o mesmo destinatário citado duas vezes) apareçam só uma vez.
-
Clique em Dry Run com eventos de amostra e confira o resultado.
Resultado esperado
Depois de ativado, um alerta de "credential dumping" do Defender chega normalizado já com:
- severidade padronizada,
- status (verdadeiro/falso positivo) traduzido,
- host, sistema operacional e analista responsável preenchidos,
- e uma lista de indicadores com o arquivo
lsass.dmp, seu hash, o processontdsutil.exe, a linha de comando e o usuário, cada um pesquisável no destino para onde o CentralOps entregou o evento (seu SIEM, data lake ou bucket).
Sobre a escala de severidade: cada vendor usa uma escala própria. O mapeamento traduz a escala do vendor para a escala padronizada do CentralOps. Confira sempre na simulação se "medium", "high" etc. caíram no nível esperado.
Caso 2: Detecção do Sophos XDR (e-mail)
Vendor: Sophos Central Tipo de evento: detecção de segurança de e-mail (phishing) Complexidade: alta (campo aninhado com detalhes de e-mail, vários indicadores)
O desafio deste evento
O Sophos entrega a detecção como um evento "plano", mas os detalhes mais úteis (IP do cliente, remetente, destinatários e anexos) vêm empacotados dentro de um campo aninhado. Você quer abrir esse campo aninhado e extrair de lá os indicadores.
Passos na interface
- Em Normaliza -> Mapeamentos, crie um novo mapeamento para o Sophos (tipo detecção).
- Habilite o pré-processamento do campo aninhado: indique qual campo do evento contém os detalhes de e-mail empacotados, para que o CentralOps o expanda e disponibilize os campos internos (IP, remetente, destinatários, anexos) para o mapeamento.
- Preencha os campos básicos (tipo, horário, identificador, título, dispositivo).
- Severidade: o Sophos envia um número. Ligue diretamente ao campo de severidade — confira na simulação se a faixa numérica do Sophos faz sentido na escala padrão (veja a nota abaixo).
- Título: use a regra de detecção como título principal e configure um valor alternativo (o tipo de ataque) para o caso de o título vir vazio.
- Mapeie as táticas MITRE ATT&CK vindas do evento para o formato padronizado, para enriquecer a investigação.
- Configure os indicadores a partir dos campos já expandidos do e-mail:
- IP de origem,
- e-mail do remetente,
- e-mails dos destinatários (gere um indicador por destinatário),
- hash e nome de cada anexo (gere um indicador por anexo).
- Habilite a remoção de duplicados dos indicadores.
- Rode o Dry Run e confira a cobertura.
Resultado esperado
Uma detecção de phishing do Sophos chega normalizada com o IP do remetente, o e-mail do atacante, os dois destinatários como indicadores separados, e os dois anexos (com nome e hash) — tudo pronto para correlação e bloqueio.
Sobre a severidade do Sophos: o Sophos usa uma escala numérica própria. Por padrão, o valor é armazenado como veio, sem reescala. Se a sua equipe precisar alinhar essa escala à severidade padronizada do CentralOps, configure uma conversão de valores no mapeamento. Decida isso de forma consciente — não deixe acontecer por acidente.
Caso 3: Alerta do Sophos (firewall / EDR)
Vendor: Sophos Central Tipo de evento: alerta de firewall ou EDR Complexidade: média (sem campo aninhado, indicadores simples)
O desafio deste evento
Os alertas do Sophos são mais simples que as detecções: todos os dados já vêm planos. Aqui o foco é mostrar as diferenças em relação ao Caso 2.
Diferenças em relação ao mapeamento de detecção
| Aspecto | Detecção (Caso 2) | Alerta (Caso 3) |
|---|---|---|
| Campo aninhado | Precisa expandir o campo de e-mail | Não há — tudo já é plano |
| Horário | Um único campo de horário | Tente o horário de criação e, se faltar, use o de registro como alternativa |
| Severidade | Número direto | Texto ("high", "medium"…) — configure a conversão para a escala padrão |
| Indicadores | IPs, e-mails, hashes (listas) | Apenas host e identificador do tenant — sem listas |
| Táticas MITRE | Presentes | Ausentes — não mapeie |
Passos na interface
- Crie o mapeamento de alerta do Sophos em Normaliza -> Mapeamentos.
- Configure o horário com um valor alternativo: use o horário de criação como principal e o de registro como reserva.
- Configure a severidade por texto, traduzindo "critical/high/medium/low/info" para a escala padronizada.
- Ligue dispositivo (nome, host, tipo) e usuário (nome, ID) aos campos do agente e da pessoa.
- Configure indicadores simples: identificador e nome do dispositivo e identificador do tenant.
- Rode o Dry Run e ative.
Caso 4: Vendor novo do zero (template)
Vendor: Acme EDR (fictício) Tipo de evento: detecção / ameaça Complexidade: ponto de partida para um vendor ainda não suportado
Cenário
Você está integrando o "Acme EDR", uma plataforma de detecção de endpoint nova. Você já recebeu alguns eventos de exemplo e quer ter um mapeamento funcional em cerca de 30 minutos.
Passo 1: Veja quais campos o padrão espera
Antes de mapear, lembre-se dos campos básicos que todo evento padronizado precisa (veja a tabela no início desta página): tipo, horário, identificador, severidade, dispositivo, usuário, indicadores e identificação do produto. Esses são o seu "esqueleto".
Passo 2: Compare os campos do vendor com o padrão
Olhe um evento de amostra do Acme e anote a correspondência. Por exemplo, para um evento como este:
event_id-> identificador do eventotimestamp-> horárioalert_name-> títuloalert_severity-> severidademachine.hostname-> nome do dispositivouser.username-> usuárioprocess.name,file.path,file.hash-> indicadores (IOCs)
Essa tabela de correspondência é o que você vai reproduzir nos formulários do mapeamento.
Passo 3: Monte o mapeamento inicial
- Em Normaliza -> Mapeamentos, crie um novo mapeamento e selecione o vendor Acme.
- Preencha primeiro os campos obrigatórios (tipo, horário, identificador, severidade) — assim você falha cedo se algo estiver faltando.
- Em seguida, ligue dispositivo e usuário.
- Por fim, configure os indicadores (nome do processo, caminho do arquivo, hash).
- Preencha a identificação do produto (nome "Acme EDR", fabricante "Acme").
Passo 4: Teste com a simulação (Dry Run)
- Salve o mapeamento.
- Clique em Dry Run com seus eventos de amostra.
- Revise o resultado:
- Todos os eventos passaram? Procure campos marcados como "100% valor padrão" — sinal de que a ligação não pegou nada e você precisa ajustar a origem.
- Algum evento foi para a Quarentena? Veja o motivo — normalmente é um campo obrigatório ausente ou uma conversão (ex.: de horário) que falhou.
- Algum campo do vendor ficou de fora? A tela de Drift (em Normaliza -> Drift) lista os campos novos/não usados. Decida quais valem a pena mapear.
Passo 5: Itere com base nos achados
Exemplos típicos de ajustes depois da simulação:
| Achado na simulação | Ação |
|---|---|
| Um campo de IP de rede aparece em metade dos eventos, mas não está mapeado | Adicione-o como indicador, gerando um por item da lista |
| A severidade às vezes vem vazia e cai no valor padrão | Marque essa regra como intencional, para o painel não acusar como problema |
| Um campo (ex.: processo pai) não é acionável | Ignore — não precisa mapear tudo |
Passo 6: Ative — e o evento segue para a entrega
Quando a simulação mostrar cobertura razoável (a maioria dos campos mapeada ou conscientemente ignorada):
- Salve o mapeamento — o CentralOps registra uma nova versão.
- Ative o mapeamento — os eventos passam a ser normalizados.
- A partir daí, cada evento normalizado segue automaticamente para a entrega:
- Se houver regras de roteamento ativas, o evento é enviado aos destinos que correspondem às condições (severidade, vendor etc.).
- Se nenhuma regra se aplicar, o evento segue para o destino padrão, garantindo que nada se perca.
- Um mesmo evento pode ser enviado a vários destinos ao mesmo tempo (por exemplo, um caminho para o SIEM principal e outro para armazenamento de baixo custo).
A criação e a ativação de regras de roteamento e a configuração de destinos são feitas pelo administrador, nas telas Roteia -> Rotas e Roteia -> Destinos (visíveis apenas para administradores). Consulte Roteamento e Destinos e Destinos.
Resumo do fluxo
| Fase | Ação | Onde, na interface | Esforço |
|---|---|---|---|
| Descoberta | Revisar eventos de amostra e os campos do vendor | Normaliza -> Mapeamentos / Drift | ~5 min |
| Esqueleto | Preencher os campos obrigatórios (tipo, horário, ID, severidade) | Normaliza -> Mapeamentos | ~5 min |
| Mapeamento | Ligar dispositivo, usuário e indicadores | Normaliza -> Mapeamentos | ~10 min |
| Testes | Rodar Dry Run, revisar drift e iterar | Mapeamentos + Drift | ~10 min |
| Ativação | Salvar e ativar o mapeamento | Normaliza -> Mapeamentos | ~5 min |
| Total | ~35 min |
Dicas:
- Comece sempre pelos campos obrigatórios — assim o evento falha cedo e visivelmente se algo crítico faltar.
- Para campos que podem vir em mais de um lugar do evento, configure um valor alternativo.
- Para listas (vários destinatários, vários anexos), gere um indicador por item.
- Rode o Dry Run cedo e com frequência — ele pega a maior parte dos problemas antes da produção.
- Depois de ativado, o resultado é vendor-neutro: o mesmo evento normalizado pode ir para qualquer destino configurado.
- Se algum comportamento de roteamento ou destino não estiver disponível para você, ele provavelmente é exclusivo do administrador — fale com o administrador da plataforma.