Syslog e JSONL
O CentralOps pode entregar os eventos normalizados a um destino externo em formato Syslog (padrões RFC 3164 e RFC 5424) ou gravá-los em arquivo JSONL local. É assim que você integra a plataforma ao Wazuh, ao Graylog, ao QRadar, ao Splunk e a qualquer SIEM que receba syslog — ou mantém uma cópia local de tudo que passou pela plataforma.
Quem configura: apenas o administrador cria e edita destinos e rotas (menu Roteia → Destinos e Roteia → Rotas). Qualquer analista ou engenheiro pode acompanhar o status da entrega em Visão geral → Saúde do pipeline.
Quando usar
| Cenário de SOC | Modo recomendado |
|---|---|
| Você já usa o Wazuh como SIEM central e quer que os alertas de Sophos, Defender, AWS, etc. cheguem lá normalizados. | Syslog RFC 3164 — o Wazuh reconhece o JSON automaticamente. |
| Seu time investiga no Graylog (ou Splunk Heavy Forwarder / QRadar) e quer aproveitar os campos estruturados do syslog moderno. | Syslog RFC 5424 — usa o bloco de dados estruturados. |
| Você precisa de uma cópia durável de todos os eventos para auditoria, ou de um fallback caso o SIEM fique indisponível. | Arquivo JSONL local — grava cada evento em disco, independente da rede. |
Os três modos de entrega
| Modo | Para onde vai | Quando escolher |
|---|---|---|
| Syslog RFC 3164 | Wazuh, QRadar, Splunk e SIEMs que aceitam syslog clássico. | É o caminho recomendado para Wazuh: o evento vai como JSON e é reconhecido automaticamente. |
| Syslog RFC 5424 | Graylog, Splunk Heavy Forwarder, QRadar. | Quando o destino sabe ler os dados estruturados do syslog moderno. Não é o ideal para Wazuh padrão. |
| Arquivo JSONL local | Um arquivo no próprio servidor do CentralOps. | Buffer durável, auditoria, ou cópia paralela do que sai para o SIEM. |
Em todos os modos, cada evento já sai normalizado e acompanhado dos metadados internos que a plataforma adiciona (origem, integração e horário de coleta), para que o SIEM consiga filtrar e correlacionar. Quando a rota reduz volume, esse mesmo bloco traz os rótulos de redução descritos mais abaixo — eles valem para os três modos e mudam como o dado deve ser lido.
Syslog RFC 3164 (recomendado para Wazuh)
É o formato clássico de syslog. O evento viaja como JSON completo, e o Wazuh, na configuração padrão, reconhece esse JSON sozinho.
Como configurar
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Abra o menu Roteia → Destinos.
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Adicione um novo destino e escolha o tipo Syslog RFC 3164.
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Preencha os campos de conexão:
Campo O que informar Host O endereço do seu receptor syslog (ex.: o servidor do Wazuh). Porta A porta em que o receptor escuta (514 é o padrão de syslog). Usar TLS Ative para criptografar a conexão. Recomendado sempre que o destino suportar. -
Use a ação de testar a conexão na própria tela. Se o teste passar, salve o destino.
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Vá em Roteia → Rotas e crie uma rota que envie os eventos desejados para esse destino.
Sobre o certificado (TLS): se o seu SIEM usa um certificado público (Let's Encrypt, DigiCert, etc.), não é preciso fazer nada além de ativar o TLS. Se ele usa um certificado interno/próprio, o CentralOps precisa confiar na autoridade certificadora (CA) dele. Essa CA é instalada na plataforma pela equipe de infraestrutura no momento do deploy. Se o teste de conexão acusar erro de certificado, fale com o administrador da plataforma para que a CA do seu SIEM seja adicionada.
O que o Wazuh recebe
O Wazuh recebe o alerta como JSON e enxerga, além dos campos do evento, um bloco de metadados internos que a plataforma adiciona — com a integração de origem, a plataforma e o horário de coleta. Use esses campos no Wazuh para filtrar por origem (ex.: separar o que veio do Sophos do que veio do Defender).
Rótulos de redução — leia antes de concluir qualquer coisa
Se a rota que alimenta este destino tem redução de volume ligada (Roteia → Rotas), o mesmo bloco de metadados traz rótulos que mudam a leitura do dado:
| Rótulo | O que significa | O que fazer com ele |
|---|---|---|
_centralops.raw_dropped: true | O evento bruto do fornecedor foi removido por esta rota. O evento normalizado chegou íntegro; só a cópia original é que não veio. | Não abra chamado com o fornecedor por um campo ausente: fomos nós que cortamos, nesta entrega. Para ver o bruto, consulte outra rota que o preserve (o data lake, por exemplo) ou peça ao administrador para desligar o descarte nesta rota. |
_centralops.sample_rate | A fração dos eventos que esta rota entregou (0.1 = 1 evento entregue a cada 10 que passaram). O rótulo só é carimbado quando a amostragem realmente atuou: numa rota com Proteger detecção ligada nada é amostrado, e o rótulo não vem. | Reescale qualquer contagem feita a partir daqui — divida pelo valor do rótulo (com 0.1, multiplique por 10). |
Ignorar esses dois rótulos leva o analista à conclusão errada sobre o dado que está vendo: sem o raw_dropped, "o fornecedor parou de mandar esse campo"; sem o sample_rate, um painel de contagem mostra uma fração do volume real e um pico de atividade passa despercebido.
Os eventos não aparecem no Wazuh? Na configuração padrão, o Wazuh reconhece automaticamente os eventos em formato RFC 3164 enviados pelo CentralOps. Se mesmo assim eles não surgirem, peça ao administrador do Wazuh para confirmar que o reconhecimento de eventos em JSON está ativo no receptor.
Se você coletou eventos de um Wazuh e está tentando roteá-los de volta para o mesmo Wazuh via destino syslog, eles serão suprimidos para evitar um loop infinito (evento coletado → reenviado → recoletado). Essa supressão é registrada em log como loop_blocked. Se você quiser reenviá-los a outro Wazuh, use um endereço de network diferente para cada um. Para mais detalhes, veja a documentação de Wazuh.
Syslog RFC 5424 (Graylog, Splunk, QRadar)
É o formato de syslog moderno, com um bloco de dados estruturados que destinos como o Graylog sabem extrair em campos próprios.
Como configurar
O passo a passo é o mesmo do RFC 3164 — em Roteia → Destinos, escolha o tipo Syslog RFC 5424 e informe Host, Porta e Usar TLS. Depois crie a rota em Roteia → Rotas.
Não use RFC 5424 para Wazuh padrão. O Wazuh, na configuração comum, não lê o JSON quando ele vem nesse formato. Para Wazuh, prefira o RFC 3164.
Arquivo JSONL local
Neste modo, cada evento é gravado como uma linha de JSON em um arquivo no próprio servidor do CentralOps, com um arquivo novo a cada dia. Serve como buffer durável e cópia de auditoria.
Como configurar
- Em Roteia → Destinos, adicione um destino do tipo Arquivo JSONL (local).
- Crie a rota correspondente em Roteia → Rotas.
Onde os arquivos ficam e por quanto tempo: a pasta de gravação e a política de retenção/limpeza dos arquivos JSONL são definidas pela equipe de infraestrutura no momento do deploy. Se precisar mudar o local, o período de retenção ou a compactação dos arquivos, fale com o administrador da plataforma.
Para que serve
- Buffer durável: os eventos são gravados em disco, independente de o SIEM estar acessível.
- Fallback: se o syslog cair, os eventos se acumulam localmente em vez de se perderem.
- Auditoria: você mantém uma cópia local de tudo que passou pela plataforma.
Acompanhar a entrega
Qualquer usuário pode verificar se os eventos estão saindo, sem precisar de acesso de administrador.
- Abra o menu Visão geral → Saúde do pipeline.
- Localize o destino ou a rota que você quer acompanhar.
- Observe o indicador de status:
- Verde / saudável — os eventos estão sendo entregues normalmente.
- Vermelho / com erro — passe o mouse sobre o indicador para ver a mensagem do erro (por exemplo, falha de conexão ou de certificado).
Nessa tela você também acompanha o volume de eventos, a latência e a quantidade de eventos ainda em espera para envio.
Resolução de problemas
| Sintoma | O que verificar |
|---|---|
| O teste de conexão falha. | Confirme Host e Porta na tela do destino (Roteia → Destinos). Se o destino estiver em outra rede, o acesso de rede entre a plataforma e o SIEM é responsabilidade da equipe de infraestrutura — fale com o administrador. |
| Erro de certificado no teste de conexão. | O CentralOps não confia na autoridade certificadora do seu SIEM. Peça ao administrador da plataforma para adicionar a CA do destino. Veja a nota sobre certificado na seção do RFC 3164. |
| O teste passa, mas os eventos não chegam ao SIEM. | Em Roteia → Rotas, confira se a rota não está com um filtro restritivo demais (por exemplo, filtrando só severidade "crítica" e descartando o resto). Em Visão geral → Saúde do pipeline, confirme que o destino está saudável e que há eventos saindo. |
| Os eventos chegam ao Wazuh, mas em formato inesperado. | Confirme que a rota está usando Syslog RFC 3164 (e não 5424). Se ainda assim o Wazuh não reconhecer o conteúdo, peça ao administrador do Wazuh para verificar o reconhecimento de eventos em JSON no receptor. |
| Espera de envio acumulando. | Em Visão geral → Saúde do pipeline, um número alto de eventos em espera costuma indicar que o destino está lento ou indisponível. Verifique o status do destino e a mensagem de erro no indicador. |
Casos de uso
Centralizar várias plataformas no Wazuh
Crie uma rota por plataforma de origem, todas apontando para o destino Syslog RFC 3164 do Wazuh:
- Eventos do Sophos → Syslog RFC 3164 (Wazuh)
- Eventos do Defender → Syslog RFC 3164 (Wazuh)
- Eventos da AWS → Syslog RFC 3164 (Wazuh)
Todos chegam ao Wazuh já normalizados e com os metadados de origem, o que permite filtrar por plataforma diretamente lá.
Enviar em paralelo para Wazuh e Graylog
Use o envio simultâneo a vários destinos com filtros diferentes por rota:
- Severidade alta/crítica → Syslog RFC 3164 (Wazuh)
- Severidade média ou acima → Syslog RFC 5424 (Graylog)
Assim o Wazuh recebe o que é prioritário e o Graylog guarda uma visão mais granular para investigação e auditoria.
Buffer local com fallback de syslog
Crie duas rotas para os mesmos eventos:
- Todos os eventos → Arquivo JSONL local
- Todos os eventos → Syslog RFC 3164 (Wazuh)
O arquivo JSONL funciona como cache durável: se o syslog ficar indisponível, os eventos continuam preservados localmente.
Próximos passos
- Criar a rota de entrega: menu Roteia → Rotas.
- Ajustar como os campos são mapeados: menu Normaliza → Mapeamentos.
- Acompanhar a saúde da entrega: menu Visão geral → Saúde do pipeline.