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Como os dados se organizam

O CentralOps coleta eventos de segurança dos seus produtos (Sophos, Wazuh, Microsoft Defender e outros), padroniza esses eventos em um formato único, decide para onde cada um deve ir e entrega a vários destinos ao mesmo tempo. Esta página explica, em linguagem de produto, os principais elementos que você vê e manipula na interface — e onde encontrar cada um no menu lateral.

Você não precisa saber nada sobre banco de dados para usar o CentralOps. O objetivo aqui é dar um mapa mental: o que é cada coisa, para que serve e em qual tela você mexe nela.

Quando usar

Consulte esta página quando:

  • Você é novo na plataforma e quer entender os termos que aparecem nos menus (integração, destino, rota, mapping, quarentena, drift) antes de começar a operar.
  • Um evento "sumiu" e você precisa saber por onde ele passa — da coleta na integração, pela normalização, até a entrega no destino — para descobrir em que etapa parou.
  • Você vai planejar o atendimento de um novo cliente (cenário MSSP) e precisa entender como o isolamento por organização separa os dados de cada um.

Os elementos principais

Organização

Uma organização separa completamente os dados de cada cliente ou unidade. Quem opera dentro da organização A nunca enxerga dados da organização B, mesmo que ambas usem a mesma instalação do CentralOps.

  • Em uma operação interna, normalmente há uma única organização.
  • Em uma operação de MSSP (atendendo vários clientes), cria-se uma organização por cliente.

Onde mexer: menu Administração -> Organizações (visível apenas para administradores). Ali o administrador cria, renomeia e gerencia as organizações.

Hierarquia de tenants

Quando você trabalha com múltiplos clientes, é possível organizar as organizações em uma hierarquia (árvore) para refletir relacionamentos comerciais — por exemplo, um reseller que atende vários clientes finais.

Nessa hierarquia:

  • Uma organização pode ser um cliente final (folha da árvore) ou um reseller (ramo que tem filhos). Um reseller é autorizado pelo administrador da plataforma para atender clientes próprios.
  • Cada relação é unidirecional: uma organização tem um organizador pai (exceto a raiz), formando uma corrente hierárquica.
  • Um reseller pode ter um teto de clientes — o número máximo de organizações filhas permitidas. Se não há limite, o reseller pode criar quantos clientes precisar.
  • Papéis e permissões são atribuídos por organização e respeitam a hierarquia: um administrador de reseller enxerga sua própria organização e todos os clientes abaixo dela (sua subárvore), mas não enxerga organizações irmãs ou acima dela. Um cliente final (folha) é administrado localmente e não tem visibilidade sobre outras organizações.

Essa separação hierárquica mantém os dados isolados mesmo dentro de uma árvore: cada organização permanece um container seguro de dados. O que muda é a visibilidade operacional — um reseller pode monitorar e gerenciar seus clientes de forma centralizada.

Onde mexer: a hierarquia e os limites são gerenciados no menu Administração -> Organizações (somente administradores globais ou resellers com permissão).

Integração

Uma integração é a conexão com um produto de origem — é por ela que o CentralOps coleta os eventos. Cada integração guarda as credenciais daquele produto e o estado da coleta (até onde já leu, qual foi a última execução, se está saudável).

O que você vê em cada integração:

  • O produto de origem (por exemplo, Sophos, Wazuh, Microsoft Defender).
  • Se está ativa ou pausada.
  • O status de saúde mais recente e o horário da última coleta.

As credenciais ficam guardadas de forma criptografada. Você nunca vê senhas, tokens ou segredos em texto puro na interface.

Onde mexer: menu Coleta -> Integrações.

Destino

Um destino é um lugar para onde o CentralOps entrega os eventos já padronizados — por exemplo, um SIEM, um data lake ou um sistema externo. Você pode ter vários destinos por organização e enviar o mesmo evento simultaneamente para todos eles (envio simultâneo a vários destinos).

Exemplos de destinos suportados:

  • Wazuh (destino padrão de quem migrou da configuração antiga).
  • Splunk.
  • Elasticsearch.
  • Armazenamento em nuvem (data lake).
  • Microsoft Sentinel.
  • Filas de mensageria.
  • Coleta no padrão OpenTelemetry.

Cada destino tem seu próprio histórico de alterações e uma trilha de auditoria: quem mudou o quê e quando. As credenciais de cada destino também ficam criptografadas e nunca aparecem em texto puro — nem na tela, nem no histórico de mudanças.

Onde mexer: menu Roteia -> Destinos (visível apenas para administradores).

Rota (regra de roteamento)

Uma rota é a regra que decide quais destinos recebem cada evento. Você define uma condição (por exemplo, "eventos de severidade alta do Sophos") e quais destinos devem recebê-los.

Como as rotas são avaliadas:

  • Cada rota tem uma prioridade. As de prioridade menor são avaliadas primeiro.
  • Uma rota pode encerrar a avaliação no primeiro acerto ou clonar o evento e continuar avaliando outras rotas (assim o mesmo evento chega a vários destinos).
  • É possível liberar uma rota gradualmente para uma fração dos eventos, para testar antes de aplicá-la a tudo.
  • Se nenhuma rota estiver ativa, todos os eventos caem em um destino de segurança padrão. Assim nada se perde silenciosamente.

Onde mexer: menu Roteia -> Rotas (visível apenas para administradores). Para visualizar como os eventos estão fluindo da coleta até a entrega, use o menu Roteia -> Fluxo de dados (também só para administradores).

Mapping (mapeamento de campos)

Um mapping é a regra que traduz os campos de um produto de origem para o formato padronizado do CentralOps. Cada combinação de produto e tipo de evento (por exemplo, alertas do Sophos, eventos de segurança do Wazuh) tem o seu mapping.

Pontos importantes:

  • Cada mapping mantém um histórico de versões. Uma versão está sempre em uso (a atual) e as anteriores ficam guardadas.
  • Ao editar um mapping, uma nova versão é criada e passa a ser a atual; a anterior vai para o histórico.
  • Você pode voltar para uma versão anterior com um clique.
  • Versões antigas nunca são alteradas, apenas guardadas — isso garante uma trilha confiável.

Onde mexer: menu Normaliza -> Mapeamentos.

Eventos brutos e eventos normalizados

Estes dois conceitos ajudam a entender o caminho de um evento, mesmo que você raramente os manipule diretamente:

  • O evento bruto é o evento como chegou do produto de origem, antes de qualquer tratamento. Normalmente ele não aparece na interface — você só o vê quando algo falha e o evento vai para a quarentena.
  • O evento normalizado é o evento já traduzido pelo mapping para o formato único, pronto para ser entregue aos destinos. Só eventos processados com sucesso geram um evento normalizado.

Cada destino registra, em seu próprio histórico, quando recebeu o evento. Você acompanha esse caminho no menu Roteia -> Fluxo de dados (somente administradores) e revê o que já passou no menu Visão geral -> Histórico.

Quarentena

A quarentena guarda os eventos que falharam na validação ou na tradução — por exemplo, quando falta um campo obrigatório ou um valor vem em formato inesperado. Cada item mostra a mensagem do erro, o tipo do problema e quando aconteceu.

O que você pode fazer com um item em quarentena:

  • Descartar: marca como ignorado; o evento não é reprocessado.
  • Reprocessar: depois de corrigir o mapping, devolve o evento à fila para ser tratado de novo.

Os itens em quarentena ficam guardados por um período limitado e depois são removidos automaticamente.

Onde mexer: menu Normaliza -> Quarentena.

Drift (campos novos detectados)

O drift mostra campos que apareceram nos eventos de um produto mas que ainda não estão tratados no mapping. Isso acontece, por exemplo, quando um fornecedor passa a enviar um campo novo. Cada item indica o produto, o nome do campo, quantas vezes foi visto e quando foi visto pela última vez.

O que você pode fazer com um campo detectado:

  • Ignorar: para de avisar sobre aquele campo.
  • Marcar como tratado: indica que o campo já está sendo cuidado no mapping.

Onde mexer: menu Normaliza -> Drift.

Saúde do pipeline

A saúde do pipeline reúne, em um só lugar, indicadores de como o fluxo está se comportando: o que está sendo coletado, o que está sendo entregue e onde há problemas. Use essa tela como ponto de partida quando algo parece fora do normal.

Onde mexer: menu Visão geral -> Saúde do pipeline.

Job de consulta (QueryJob)

Um job de consulta é uma busca federada que você dispara manualmente ou via regra de correlação. Ele consulta dados em múltiplas fontes de segurança (Wazuh, Sophos, CrowdStrike, Defender e outras) de forma síncrona, filtrando por janela de tempo, e acompanha o progresso de forma assíncrona.

O que você vê em cada job:

  • Um identificador único e opaco (job_id).
  • Status atual: aguardando (submitted), em execução (running), finalizado (finished), parcialmente processado (partial) ou com erro (failed).
  • Total de resultados encontrados.
  • Resultados separados por fonte — cada fonte mostra seu próprio resultado (per_source facets).

O que você pode fazer:

  • Disparar uma nova busca federada selecionando as fontes, escrevendo uma consulta e escolhendo a janela de tempo.
  • Acompanhar o progresso em tempo real — não precisa ficar esperando a conclusão em uma tela; você pode voltar depois via o identificador.

Onde mexer: menu Detecta -> Busca federada.

Detecção (Detection)

Uma detecção é um achado de segurança gerado automaticamente — pode vir de uma consulta que você executou, de uma regra de correlação que roda continuamente, ou de uma fonte externa (como um alert do Sophos).

O que você vê em cada detecção:

  • Origem: se veio de uma consulta que você rodou (scheduled_query), de uma busca ao vivo (live_query) ou de uma regra de correlação (correlation).
  • Severidade em padrão OCSF (ex.: Alta, Média, Baixa). O padrão é Alto.
  • Status: aberta (open) esperando ação, reconhecida (ack) ou fechada (closed) após investigação.
  • Quantidade de ocorrências agregadas (count) e uma chave de deduplicação (dedup_key).

O que você pode fazer:

  • Filtrar por status — mostrar só o que está aberto, reconhecido ou fechado.
  • Mudar o status de uma detecção — abrir, reconhecer ou fechar.
  • Investigar o evento associado consultando os destinos onde ele chegou.

Onde mexer: menu Detecta -> Detecções.

Regra de correlação (CorrelationRule)

Uma regra de correlação dispara uma detecção quando um padrão de eventos ocorre. Por exemplo, pode gerar um alerta se "mais de 5 falhas de login no mesmo usuário dentro de 5 minutos".

Como funciona:

  • Define-se um nome descritivo, uma janela de tempo (em segundos) e um campo para agrupar os resultados (ex.: usuário).
  • Escreve-se uma ou mais condições (ex.: "campo 'event_type' é igual a 'login_failure'").
  • Define-se o mínimo de ocorrências para disparar a regra (padrão: 5).
  • Opcionalmente, silencia detecções duplicadas por um período (ex.: 1 hora).

O que você pode fazer:

  • Criar uma nova regra manualmente.
  • Ativar ou desativar uma regra.
  • Salvar histórico e versões da regra.
  • Abrir uma detecção que foi disparada por uma correlação para investigar.

Onde mexer: menu Detecta -> Correlação.

Histórico e trilha de auditoria

O CentralOps registra as ações realizadas — quem fez, o que foi feito, quando e em qual organização — para rastreabilidade e conformidade. Mudanças em rotas e em destinos também ficam registradas, o que permite responder perguntas como "quem alterou esta rota e quando?" e desfazer mudanças voltando a um estado anterior.

Onde acompanhar: menu Visão geral -> Histórico.

Sua sessão e seus acessos

Quando você entra na plataforma, é criada uma sessão de uso que expira depois de um tempo, exigindo novo login. Senhas e tokens nunca são guardados em texto puro.

Onde mexer: a gestão de pessoas e acessos fica em Administração -> Usuários e Administração -> Contas de serviço. Para cuidar da sua própria conta, abra o menu do avatar no canto superior direito: Perfil e segurança para senha e sessões, e Tokens de API para gerar credenciais de uso programático em seu nome.

Como tudo se conecta

Em alto nível, o caminho de um evento é:

  1. A integração coleta o evento do produto de origem.
  2. O mapping traduz o evento para o formato padronizado.
    • Se a tradução falha, o evento vai para a quarentena.
    • Se aparecem campos não tratados, eles surgem no drift.
  3. As rotas decidem para quais destinos o evento será entregue.
  4. Cada destino entrega o evento e registra o que recebeu.

Tudo isso acontece dentro de uma organização, que mantém os dados de cada cliente ou unidade completamente separados.

Para ver esse caminho em funcionamento, em tempo real, use o menu Roteia -> Fluxo de dados (somente administradores).

Retenção: por quanto tempo os dados ficam guardados

Para que a plataforma não acumule dados indefinidamente, cada tipo de informação tem um prazo de retenção e é limpo automaticamente depois. Em linhas gerais:

Tipo de dadoPermanece guardado por
Eventos brutos e normalizadosPeríodo curto (alguns dias)
Itens em quarentenaAlguns dias
Campos novos detectados (drift)Alguns meses
Histórico e trilhas de auditoriaMais longo, por exigência de conformidade
Sua sessão de usoAlgumas horas, até precisar logar de novo

Os prazos exatos de retenção são definidos pela equipe de infraestrutura no momento do deploy. Se precisar ajustá-los para a sua organização, fale com o administrador da plataforma.

Sobre segurança das credenciais

Você nunca precisa lidar com chaves ou segredos diretamente. Credenciais de integrações e de destinos são guardadas de forma criptografada e nunca aparecem em texto puro — nem nas telas, nem nos históricos de mudança. A forma exata como essa proteção é configurada é responsabilidade da equipe de infraestrutura no momento do deploy. Se precisar alterá-la, fale com o administrador da plataforma.

Limites

Alguns limites valem a pena conhecer:

  • A quantidade de usuários, destinos, rotas e mappings por organização é, na prática, livre.
  • Há um teto para a quantidade de integrações por organização. Se você se aproximar desse limite, fale com o administrador da plataforma.
  • Itens em quarentena e eventos têm prazo de retenção (veja a seção acima).

Estes limites são definidos no momento do deploy. Se precisar de um valor diferente do que aparece na sua instalação, fale com o administrador da plataforma.

Veja também

  • Retenção — detalhes sobre por quanto tempo cada tipo de dado é mantido.